Foto da capa: Lula Marques/Agência Brasil (CC BY 3.0 BR).
Em 50 dias de campanha do primeiro turno, de 16 de agosto a 4 de outubro, o Brasil registrou 134 casos de violência política, cerca de um a cada nove horas. O levantamento é das organizações Terra de Direitos e Justiça Global, que chegam à quarta edição da pesquisa. Em 2022, no mesmo período, foram 121 casos.
Mulheres são as mais atingidas
Das vítimas, 70 eram mulheres (52,2%). Entre os ataques a candidatos, elas foram alvo em quase 59% dos casos, embora representem só um terço das candidaturas. Machismo ou misoginia apareceram em 45 episódios, racismo em 9 e transfobia em 5. Todas as sete ameaças de violência sexual tiveram mulheres como alvo.
Que tipo de violência
Ameaças: 64;
Ofensas: 33;
Agressões físicas: 19;
Atentados: 11;
Assassinatos: 2 (um vereador e um secretário municipal).
Os homens foram as principais vítimas da violência física, enquanto as mulheres concentraram a violência simbólica, como ameaças e ofensas. Pessoas negras foram 44,8% das vítimas.
Sem punição
Nenhum dos 134 casos teve responsabilização até o fim da coleta. Em pelo menos 26 episódios, o autor era um agente público, incluindo parlamentares e agentes de segurança. São Paulo (16), Rio Grande do Norte (13), Minas Gerais (12) e Rio Grande do Sul (10) lideram os registros.
Os pesquisadores lembram que o número real tende a ser maior, porque muitas vítimas não denunciam por medo.
Fontes
Por Hélio Morais, Habitei. Publicado em 10/10/2026.
